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Merlí: uma lição de filosofia de vida na Netflix

Atualizado: Jan 16

Por Lady Babi





Para quem não conhece essa produção original Netflix, Merlí é uma série espanhola. Já finalizada, ela conta com 3 temporadas e totaliza 40 episódios, ou seja, perfeita para maratonar naquele final de semana sem nada para fazer. A história apresenta um professor de filosofia que, usando alguns métodos pouco ortodoxos, incentiva seus alunos a pensarem livremente - dividindo as opiniões de alunos, professores e famílias.


Certamente, um dos principais pontos que me incentivaram a indicar essa série é a sua proposta de democratizar a filosofia, clara inspiração de um dos meus filmes favoritos da vida: Sociedade dos Poetas Mortos - sim, ele é um dos meus milhares de filhos. Cada episodio é intitulado com o nome de um pensador ou escola filosófica: Sócrates, Peripatéticos, Aristóteles, Nietzsche ou Schopenhauer. O espectador assiste a Merlí dando uma pequena explicação das ideias de cada um desses grupos ou personalidades filosóficas e essas servirão como o fio condutor para o desenrolar dos acontecimentos na vida dos personagens.


Em cada episódio os adolescentes alunos de Merlí, os pais e até mesmo o próprio professor são confrontados com dilemas éticos e filosóficos. A série apresenta de maneira didática e na prática ideias que na maioria das vezes, em um ambiente acadêmico, foram recebidas como complexas e de difícil compreensão, quando na realidade elas permeiam todo o nosso dia a dia como indivíduo e sociedade.




Lançada em 2015, a produção está cada dia mais atual. Não é de hoje que matérias como sociologia e filosofia, que tem como objetivo criar e desenvolver o pensamento crítico do cidadão, são tidas como perigosas. Com movimentos obscuros anti-ciência e um pensamento deturpado sobre doutrinação ideológica de jovens em salas de aulas por seus professores cada vez mais se levantando e ganhando voz, Merlí é uma série que discute questões sobre adolescência, a relação da escola-família na educação dos jovens e, mais do que isso, a relação aluno-professor.


E é essa relação que mais encanta na série. Assim como em Sociedade dos Poetas Mortos, os peripatéticos (como os alunos da classe de Merlí se denominam) criam uma conexão com o professor que extrapola os muros da escola, que vale aqui frisar ser pública. Essa relação aluno-professor também abrirá caminho para o debate sobre o incentivo à alunos considerados problemáticos, ao sucateamento educacional público, as próprias mazelas com professores que são humilhados por alunos, as ruins condições de trabalho e os péssimos salários entre tantos outros problemas educacionais que não são exclusividades nossas.


Merlí é uma verdadeira ode à educação e o poder que ela tem de mudar vidas, seja elas como forem, com seus diversos problemas e limitações. É uma série que fala diretamente com a sociedade e seus indivíduos, expondo suas falhas, colocando o dedo sem dó na ferida e convidando todos e todas a pensarem e discutirem cada aspecto da vida.


Bom, essa rodada está acabando, mas vocês já sabem, né?! Se perdeu algum encontro desse bar aberto, acesse o nosso site bardosnerds.com e confira a playlist com todos os nossos programas. Vocês também encontram a gente no spotify e nas nossas redes sociais no facebook, instagram e agora no twitter, é só procurar por bardosnerds. O bar está fechando, mas logo voltamos para mais uma dose imoderada de conteúdo nerd. Garçom, passa a régua :)



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